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  • DOIS GRAUS A LESTE, TRÊS GRAUS A OESTE

    “Três livros. Dois para ler, um para reescrever.” Os três chegam pelo Correio, junto com uma carta longa, divertida, reveladora. O pacote – via postagem rápida – foi enviado por um amigo jornalista que, descubro agora, além de adorar expressões idiomáticas e frases feitas, gosta muito de autores capixabas.

    Fala de Rubem Braga – que, como a crítica, também considera o maior cronista brasileiro – e de Danuza Leão. Amigo atencioso, explica que os livros (quer me fazer reler H. James e H-M Beyle) são um remédio leve e eficaz para convalescer do que ele chama “procedimentos invasivos”. Não só os médicos falam metaforicamente.

    Rubem Braga escreve mesmo muito bem, indiscutível. E Danuza Leão (apesar da origem, mais carioca que capixaba) conseguia falar com singeleza de frivolidades, situações sórdidas e até mesmo de pessoas diabólicas, despertando no leitor um sentimento humano de aceitação. Em casa líamos sempre Danuza, principalmente para conferir as ilustrações (de Lula Palomanes). Uma dessas (feita para uma crônica) foi um retrato/caricatura da própria Danuza, em que predominava o azul. Ela adorou o desenho e o incorporou ao seu acervo.

    Ambos, Rubem Braga e Danuza, escreveram no Jornal do Brasil, onde colaborou também outro cronista capixaba: José Carlos de Oliveira (Carlinhos de Oliveira). Sou fã dos três.

    Já no ocaso do Jornal do Brasil  Danuza Leão (então com mais de 60 anos) ocupou no Caderno B, depois da morte de Zózimo Barroso do Amaral, a sua coluna social – com certa graça, embora não com o peso e a verve de Zózimo – e um espaço para crônicas. Comentava-se na casa, principalmente entre os ilustradores, a maneira sempre respeitosa, desinteressada e íntegra como agia dentro e fora do ambiente de trabalho.

    Um dos livros enviados pelo meu amigo não é novo: traz frases grifadas com lápis. Nas margens, as anotações curiosas (variando de caiu a ficha a efeito dominó) e muito particulares sugerem outra leitura, não-literária. O exemplar que propõe reescrever é impecável e irretocável, desde a epígrafe (que alude a araucárias e a ervas daninhas) até o cólofon. Ele próprio é o autor do livro, que será lançado este ano.

    Retribuirei enviando 2 Graus a Leste, 3 Graus a Oeste, de Reinaldo Santos Neves, recentemente lançado no Palácio Anchieta. Mais um trabalho de fôlego do autor. O meu presente reúne três atributos que atendem as exigências de quem vai ser presenteado: são crônicas, o autor é capixaba e é bem escrito. Com um adendo: é muito bem escrito! Vai junto Heródoto, IV, 196, também de Reinaldo, também recém-lançado. Este, de contos. O escritor Reinaldo Santos Neves é um dos nomes que elevam o patamar em que se encontra o Espírito Santo.

  • TURMA BOA!

    Time da Velha Guarda do JB. Só craque. Desses, apenas Massarani não esteve em Vitória. Lula, Aliedo e Liberati, fizeram exposição na Fafi. Lula e Liberati estiveram na Ufes, no Seminário Nacional de Design. Liberati que tem mestrado – na área de Cinema – pela PUC-Rio, e já é professor. Sou uma incentivadora dessa novidade em sua carreira, por dois motivos:

    1] sei que ele é um excelente professor; 2] ser professor é uma alegria especial, uma renovação constante, e uma chance de contribuir para o ensino, apesar dos desgastes próprios da profissão.

  • MARIEN

    A placidez na conversa, a distinção e elegância na convivência, o cuidado na produção literária. Um pouco de existencialismo e de nouvelle vague, muito mais de ragtime, blues e spirituals… E a maneira como sempre surpreendia Vitória, fosse com as suas realizações públicas, fosse no cotidiano, são a síntese e a marca do escritor e jornalista Marien Calixte que, discretamente, sucumbiu à inoportuna peça que lhe pregou justo um monoaminérgico: uma fuga de dopamina.

    Em todos os encontros que tivemos, e quase posso contá-los nos dedos, tive a impressão que Marien, sempre afetuoso, queria mesmo, acima de tudo, fazer amigos. Lendo um bilhete – longo, mais uma carta que um bilhete – mais ou menos recente, lembrando as últimas conversas, e pensando na maneira como o via, aos 17, quando o conheci, constato uma constante deferência (para mim, especial) que se reserva aos amigos.

    E dois sentimentos se confrontam: a doce lembrança de tê-lo convidado para um encontro com jovens alunos da Ufes (ele foi. Discreto, delicado, distinto, falou pouco da infinidade de realizações importantes aqui, no Espírito Santo) e o amargo sentimento de não ter conseguido (ainda) publicar um texto seu. Do resultado do encontro na Ufes (um conjunto de edições experimentais de um de seus livros) estou certa: alegria recíproca.

  • Seminário Nacional de Ilustração e Design Editorial

    De 10 a 15 de novembro acontece em Vitória importante evento na área de ilustração e de design editorial, o Seminário Nacional de Ilustração e Design Editorial. Estarão reunidos aqui 9 dos maiores nomes nacionais, além de 5 das maiores expressões locais.

    O encontro, organizado pelo Núcleo de Estudos Célula Tipográfica, traz a Vitória os desenhistas Chico Caruso, Lula Palomanes, Trimano, Cavalcante, Rubem Grilo, Liberati e Walter Vasconcelos, mais os designers Tide Hellmeister e Guilherme Mansur. A esses nomes vão se juntar os capixabas Attílio Colnago, Joyce Brandão, Ilvan, e Gilbert Chaudanne.

    Além de mesas-redondas acontecerão:

    1 – Lançamento de 3 livros: Amostra Grátis 3, Tipografia de Bolso 2 e Bandeiras – Territórios Imaginários

    2 – Exposição reunindo trabalhos dos convidados, dos artistas locais e professores e alunos da Ufes.

    A Célula Tipográfica destaca a importância das parcerias com Aracruz Celulose, Alice Vitória Hotel e Prefeitura de Vitória para a realização do evento, bem como os apoios recebidos da Rede Gazeta, Unicopy, Hans Matrizes Gráficas e Gráfica A1.

  • ROBERTO CIVITA

    Lúcido e verdadeiro.

    A seguir, importantes considerações de um jornalista sensato, mas apaixonado pelo que fazia… Considerações feitas em 2008, quando completava  50 anos na Abril.

    Existe uma fórmula mágica para o sucesso?

    Sim. Eu a conheço e já registrei com o nome de A Fórmula Mágica da Sorte e do Sucesso (ou — pelo menos — da Sabedoria) em Alguns Minutos por Dia ou Seu Dinheiro de Volta.

    Nossa! O senhor pode nos contar como ela funciona?

    Trata-se, muito simplesmente, de LER.

    Isso é uma sigla?

    Verbo. Ler o quê? Tudo o que cair em suas mãos! Folhetos, folhetins, fascículos, panfletos e literatura de cordel. Jornais (grandes, pequenos, nanicos e alternativos), revistas (gerais, profissionais, técnicas… até da concorrência), boletins, fichas de receita, anúncios, embalagens, bulas, enciclopédias, circulares, relatórios, o manual de proprietário do seu carro, quadrinhos, dicionários, programas de teatro, discursos, cartas de amor e — se possível — até alguns livros… Em qualquer lugar. E especialmente no trânsito, no banheiro, no ônibus, no avião, na praia, no elevador, no metrô, no intervalo do jogo no Estádio do Morumbi e — naturalmente — na sala de espera do médico ou dentista. Onde quer que você esteja. Em qualquer momento disponível. Quando não conseguir dormir, quando se encontrar em qualquer fila, no café-da-manhã, na hora do almoço (ou — se estiver de regime — no lugar do almoço), entre duas partidas de tênis no clube, durante os comerciais… até em vez de assistir a uma novela! O importante é reservar tempo para ler. Escolha a hora que quiser. Acorde mais cedo. Durma mais tarde. Mude algum programa. Mas… leia!

    Mas funciona mesmo?

    A “fórmula mágica” deve ser testada ao longo de, digamos, 23 anos. Até lá não aceitamos reclamações. Falando sério, estou convencido de que a leitura é a receita mais simples para o conhecimento, a atualização permanente, o acesso ao mundo das idéias, a compreensão e a sabedoria. Quanto mais você ler, mais surpresas como estas terá: “Em vez de ser a condição natural do homem e da sociedade, a liberdade é algo que poucos alcançaram, em poucos lugares, através de esforço, dedicação, autodisciplina e engenhosidade social. A liberdade é a exceção da História, não a regra; é aquilo que os homens buscam, não o que possuem”. (Arthur Schlesinger) Ou, ainda, sobre liberdade: “Se uma nação espera ser ignorante e livre ao mesmo tempo, espera ser algo que nunca existiu e que nunca existirá”. (Thomas Jefferson) Ler não envolve apenas a busca de verdades eternas ou receitas universais. Ler é também diversão, entretenimento e bom humor. Alexandre Dumas escreveu sobre o matrimônio: “A cruz do casamento é tão pesada que são necessárias duas pessoas para carregá-la, às vezes três”. E, finalmente, um velho provérbio chinês, aplicável a todos os nossos planejamentos: “É muito difícil fazer profecias, principalmente com relação ao futuro”.

    Mas haja memória…

    Se me permitirem acrescentar mais uma recomendação àquela básica, eu lhes diria: sempre que possível, leiam com um lápis ou caneta na mão. Marquem os trechos que acharem importantes. Recortem artigos de jornais e revistas. Colecionem as frases ou parágrafos de que gostarem, como outras pessoas colecionam selos, figurinhas, autógrafos, conchas ou chaveiros. Classifiquem seus achados, arquivem-nos, troquem-nos com seus amigos… E voltem, sempre, para saboreá-los. Descobrirão que a sua coleção através dos anos revelará muitas coisas importantes a respeito de si próprios. Bem, se isso não trouxer sorte e sucesso, garanto que — no mínimo — trará sabedoria e muita satisfação.

    As revistas podem competir com esses autores fabulosos que o senhor citou?

    Podem porque elas são o mais seletivo, segmentado, regionalizado, brilhante, íntimo, aproveitável, portável, rasgável, eficiente, dramático, inteligente, lindo, duradouro e maravilhoso veículo de comunicação que existe.

    E com as novas tecnologias?

    A revolução iniciada por Gutenberg foi tão importante que ainda não terminou, já passados 500 anos. E, na essência, o que fazemos hoje em matéria de imprensa obedece aos mesmos propósitos que levaram o nosso patriarca a construir a sua primeira prensa: levar informação relevante (no caso dele, os ensinamentos da Bíblia) a um número maior de pessoas, por um custo mais acessível. Na Era da Informação — e apesar de tanta velocidade e diversidade — não podemos deixar de lado a fundamental importância da verdade, da honestidade, da objetividade, da solidariedade, e da “inteligência sensível”. Ou seja, daqueles princípios fundamentais que alicerçam a civilização desde os seus primórdios e sem os quais todo o resto será em vão.

  • Nem tudo são flores

    Emocionante a vitória, e a festa da vitória, de Barack Obama. Expectativa e torcida existem. Lá, aqui, no mundo todo. Governar, no entanto, acontece depois da festa.