A placidez na conversa, a distinção e elegância na convivência, o cuidado na produção literária. Um pouco de existencialismo e de nouvelle vague, muito mais de ragtime, blues e spirituals… E a maneira como sempre surpreendia Vitória, fosse com as suas realizações públicas, fosse no cotidiano, são a síntese e a marca do escritor e jornalista Marien Calixte que, discretamente, sucumbiu à inoportuna peça que lhe pregou justo um monoaminérgico: uma fuga de dopamina.
Em todos os encontros que tivemos, e quase posso contá-los nos dedos, tive a impressão que Marien, sempre afetuoso, queria mesmo, acima de tudo, fazer amigos. Lendo um bilhete – longo, mais uma carta que um bilhete – mais ou menos recente, lembrando as últimas conversas, e pensando na maneira como o via, aos 17, quando o conheci, constato uma constante deferência (para mim, especial) que se reserva aos amigos.
E dois sentimentos se confrontam: a doce lembrança de tê-lo convidado para um encontro com jovens alunos da Ufes (ele foi. Discreto, delicado, distinto, falou pouco da infinidade de realizações importantes aqui, no Espírito Santo) e o amargo sentimento de não ter conseguido (ainda) publicar um texto seu. Do resultado do encontro na Ufes (um conjunto de edições experimentais de um de seus livros) estou certa: alegria recíproca.
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