Centro da Praia. Este é o centro comercial (shopping center) mais antigo da capital. Morava ali na Rua Colatina, digo, Desembargador Sampaio e diariamente passava em frente ao terreno baldio, um pequeno charco cuja cerca de madeira e arame farpado estava sempre coberta de ramos de melão de São Caetano. Os pequenos melões maduros, que parecem mais pequenos jacarés que de verdes ficaram amarelos, para muitas crianças (vá entendê-las!) são boizinhos. As sementes vermelhas, maduras, são doces. Era parada obrigatória no caminho para a Escolinha Pica-Pau, acompanhada dos meus dois primeiros filhos. Trinta e quatro/trinta e oito anos atrás.
Passado pouco tempo o Shopping Centro da Praia foi construído naquele terreno. A Bee logo viraria um bom lugar de passagem e compras. A Point, com sua placa op-art (optical art: menos expressão, mais visualização), em preto e branco, para breves visitas.
Depois de uns 20 anos fora de Vitória, talvez pouco mais, voltei a freqüentar* o velho shopping. Continuava charmoso, com o mesmo café na área comum repleta de mesas e cadeiras, embora poucas lojas do início continuassem ali. A Bee persiste (aliás, seu novo balcão impede que se veja direito o que está nas prateleiras). A Point acabou.
O Centro da Praia passou por uma reforma na sua calçada – acho que vai diminuir a afluência de camelôs – e pequenas mudanças internas. Muito pequenas mesmo. Uma delas nos toilettes: tiraram as toalhas de papel e colocaram secadores para as mãos. Não melhorou. Se antes era possível pegar uma toalha de papel para abrir a torneira e acionar o porta-sabonete, agora você tem que tocá-los com a mão. E já existem no mercado – e instaladas em muitos shoppings, hospitais e outros lugares públicos – as torneiras acionadas através de célula fotoelétrica…
Mas o lugar continua charmoso: cosmopolita e interiorano, ao mesmo tempo.
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